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Outubro 1999

Jogos Cooperativos x Competitivos

Se o importante é competir, o fundamental é cooperar. Neste artigo é feita uma análise dos objetivos dos jogos infantis e propostas novas versões onde joga-se uns COM os outros e não CONTRA os outros. Em alguns países está sendo usado como uma tentativa de conter a crescente violência entre os jovens.

(Baseado em artigo de Cecília Marks. Revista Educação nº221 Set/99 pag 20/24)

 

Terry Orlick, pesquisador canadense, a partir de estudos iniciados nos anos 70 desenvolveu o princípio dos jogos cooperativos - atividades físicas cujos elementos essenciais são a cooperação, a aceitação, o envolvimento e a diversão.

A idéia difundiu-se e hoje diversos autores desenvolvem jogos cooperativos aplicados na educação, administração de empresas e serviços comunitários. Em alguns países, a proposta está inserida em escolas de diversas metodologias, sendo encarada como educação preventiva para conter a crescente violência entre os jovens.

Em seus estudos, Terry Orlick buscava entender por que uma brincadeira perde a graça e o que leva uma criança a abandonar um jogo. Pesquisando diversas culturas e diferentes momentos históricos, constatou que os jogos infantis reproduzem a estrutura social, refletem valores e anseios da sociedade.

No mundo ocidental, altamente competitivo, cada indivíduo é valorizado pela capacidade de se destacar dos demais, se necessário com mecanismos prejudiciais a outras pessoas ou à comunidade. Poucos foram os jogos encontrados genuinamente cooperativos, onde todos os participantes se esforçam para atingir um objetivo comum.

Baseado nessas observações, questionou as regras dos jogos tradicionais e adaptou-os para transformá-los em jogos cooperativos. Neles o confronto é eliminado e joga-se uns COM os outros. A criatividade e a comunicação são estimulados para se alcançar a melhor estratégia e atingir o objetivo proposto. Livres da tensão da competição e regras rígidas, os jogadores divertem-se e descontraem-se.

Jogos cooperativos

Jogos Competitivos

  • Visão de que "tem para todos"
  • Visão de que "só tem para um"
  • Objetivos comuns
  • Objetivos exclusivos
  • Ganhar COM o outro
  • Ganhar DO outro
  • Jogar COM
  • Jogar CONTRA
  • Confiança mútua
  • Desconfiança, suspeita
  • Todos fazem parte
  • Todos à parte
  • Descontração, atenção
  • Preocupação, tensão
  • Solidariedade
  • Rivalidade
  • Diversão para todos
  • Diversão às custas de alguns
  • A vitória é compartilhada
  • A vitória é uma ilusão
  • Vontade de continuar jogando
  • Pressa para acabar com o jogo
  • Um exemplo, é o tradicional Jogo das cadeiras. Na versão competitiva, coloca-se uma cadeira a menos que o número de participantes e quando a música pára é eliminada uma cadeira e o jogador que ficou de pé. Ganha quem sentar-se na última cadeira. Na versão cooperativa começa-se com o mesmo número de cadeiras e participantes. A cada rodada é eliminada uma cadeira mas mantidos todos os participantes. O desafio é todos conseguirem sentar-se nas cadeiras restantes. O grupo tem de encontrar uma forma de sentar, todos juntos e bem.

    Outro exemplo é o Jogo dos Autógrafos que está descrito na página de exercícios do site da T'AI Consultoria.

    No Brasil, Fábio Otuzi Brotto, autor do livro "Jogos Cooperativos", é um dos precursores desse novo enfoque. Para ele, o grande desafio do educador que adota os princípios dos jogos cooperativos é harmonizar o desenvolvimento da habilidade física com o desenvolvimento das potencialidades pessoais e coletivas dos alunos.

    Mais informações:

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