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Revisado em Jan/2008

Alcoolismo

Conheça as descobertas sobre esta doença que ataca adultos e crianças e que tem crescido junto ao sexo feminino.

(resumido das revistas Claudia Fev/99 páginas 14-19 e
Ana Maria 22/02/99 páginas 32-37 Editora Abril )

 

Da mesma forma que o infarto, o derrame e o stress, o alcoolismo deixou de ser uma doença quase que exclusivamente masculina e vem atingindo cada vez mais mulheres e jovens.

Uma pesquisa da OMS - Organização Mundial da Saúde - mostra que o número de mulheres alcoólatras triplicou nos últimos anos a nível mundial. Já um estudo do Hospital das Clínicas em São Paulo conclui que sempre houve mulheres dependentes do álcool, mas apenas nos últimos anos elas tem coragem de procurar ajuda.

Um levantamento feito em 1997 com cerca de 14.000 estudantes de 1o. e 2o. graus em dez capitais brasileiras, mostra que entre crianças de 10 a 12 anos cerca de 60% das meninas e 40% dos meninos já experimentaram bebidas alcoólicas.

Embora seja proibida a venda de bebidas alcoólicas a menores de 18 anos, poucos respeitam a lei. Como o álcool não tem o consumo proibido, nem todas escolas preocupam-se com a prevenção.

No Brasil o álcool é responsável por cerca de 50% dos acidentes de trânsito e mais de 90% das internações hospitalares por dependência, além de aparecer em 70% dos laudos de morte violenta.

Além disso, sob seu efeito, a jovem fica mais sujeita a uma gravidez indesejada, ao sexo sem proteção e ao uso de outras drogas.

Não se nasce alcoólatra, mas existe um fator genético de predisposição à doença. O alcoolismo é uma doença crônica, em geral progressiva e fatal. É causada por uma soma de fatores genéticos, físicos, psíquicos, familiares e sociais. Caracteriza-se pela perda de controle sobre a ingestão da bebida e pelo grande número de problemas associado ao seu uso. A bebida atinge órgãos vitais como o fígado, o coração e o cérebro. Há uma lista enorme de doenças que afetam os alcoólatras.

Identificar quando o abuso se transforma em dependência é difícil, especialmente nas mulheres que desenvolvem mais rápido o alcoolismo do que o homem devido a diferenças físicas (a mulher têm menos peso, mais tecido gorduroso, menos água no organismo e níveis mais baixos da enzima que metaboliza o álcool).

É muito complicado distinguir um alcoólatra de uma pessoa que bebe normalmente. Não é a quantidade ou a freqüência com que se bebe que vai definir a dependência, mas a atitude de quem bebe e a necessidade da bebida para desempenhar algumas atividades.

Mesmo que consuma a mesma quantidade de bebida, em geral ficam alcoolizadas em menos tempo porque absorvem 30% mais álcool que os homens. Em geral o homem precisa beber por 15 anos para se tornar um alcoólatra. Uma mulher que consuma a mesma quantidade de álcool se torna dependente em aproximadamente 5 anos.

Apesar do poder destrutivo da bebida ser o mesmo para ambos os sexos, a mulher alcoólatra é vítima de mais preconceitos que o homem. Na Roma antiga o alcoolismo feminino era tratado com o mesmo rigor que o adultério pois acreditava-se que o álcool as tornava sexualmente agressivas e promíscuas. Até recentemente os livros de psiquiatria insistiam que o alcoolismo feminino era diferente do masculino sendo tratado como um sério desvio de personalidade com tratamento mais complexo e frequëntemente decepcionante.

No alcoolismo feminino observa-se muito mais a destruição familiar. O marido em geral vai embora e os filhos acabam invertendo os papéis em casa. Em geral a mulher demora mais a buscar um tratamento e só o faz quando as complicações físicas e emocionais são tantas que passa a ser impossível negar o problema.

Freqüentemente a negação faz parte do comportamento do alcoólatra e é um dos maiores obstáculos para a recuperação. Além disso muitas mulheres abandonam o tratamento por medo de perder a guarda dos filhos. Em geral a dependência não aparece sozinha, é comum estar associada à depressão ou violência familiar.

Estudos apontam que 10% da população brasileira - aproximadamente 1,6 milhão de pessoas - são alcoólatras e que apenas 20% se recuperam. Outros estudos apontam que havendo motivação e apoio familiar a eficácia dos tratamentos fica em torno de 50%. A internação, vista como saída milagrosa por muitos familiares, é indicada em menos de 10% dos casos.

De qualquer forma ainda não é possível falar em cura do alcoolismo. Não existem trabalhos científicos mostrando que o alcoólatra possa readquirir o controle e voltar a beber socialmente, com moderação. Até o momento a melhor opção é a abstinência completa.

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