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Abril 1998
O Casulo
É comum os pais terem um impulso de "adiantar" etapas na vida dos
filhos. Por melhor que seja a intenção nem sempre é uma atitude sensata
e muitas vezes pode ser um desastre...
(texto de Nikos Kazantzakis)
Lembro-me de uma manhã em que eu havia descoberto um casulo na
casca de uma árvore, no momento em que uma borboleta rompia o invólucro
e se preparava para sair.
Esperei bastante tempo, mas estava demorando muito e
eu estava com pressa.
Irritado, curvei-me e comecei a esquentá-lo com meu hálito. Eu
esquentava impaciente e o milagre começou a acontecer diante de mim, em um ritmo mais rápido
que o natural. O invólucro se abriu e a borboleta saiu se arrastando.
Nunca hei de esquecer o horror que senti então: suas asas ainda
não estavam abertas, com todo o seu corpinho que tremia, ela se esforçava para
desdobrá-las.
Curvado por cima dela, eu ajudava com meu hálito. Em vão.
Era necessário uma paciente maturação, e o desenrolar das asas devia ser feito
lentamente, ao sol. Agora era tarde demais. Meu sopro obrigara a borboleta a se
mostrar toda amarrotada antes do tempo.
Ela se agitou desesperada e, alguns segundos depois, morreu na palma de
minha mão.
Aquele pequeno cadáver é, eu acho, o peso maior que tenho na
consciência. Hoje entendo bem isso, é um pecado mortal forçar as grandes leis.
Temos que não nos apressar, não ficar impacientes, seguir com
confiança e ritmo eterno.
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