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Janeiro 1999 Melhores que os pais Pesquisadores constatam que as crianças do fim do milênio têm o cérebro mais aparelhado do que gerações anteriores e, por isso, fascinam pais e mestres.
(resumido da revista Veja Editora Abril 16/12/98 páginas 160-168)
Os professores foram os primeiros a acusar a nova onda. Estão lidando com crianças que vão para a sala de aula aos 7, 8 ou 9 anos de idade com conhecimentos, interesses e curiosidades que muitas vezes eles não estão preparados para satisfazer. Os educadores sentem que sua clientela está achando a escola tradicional, com suas etapas rígidas e seus ensinamentos compartimentados, uma estrutura um tanto superada. Muitos pais percebem que há algo de fascinante na qualidade das perguntas com que são bombardeados pelos filhos pequenos. De acordo com os estudiosos do assunto, está em curso neste final de milênio a primeira revolução da história da humanidade comandada pelas crianças. Os cientistas estão descobrindo com espanto que o cérebro de uma criança de hoje é mais desenvolvido fisicamente que o de seus antepassados na mesma idade. Nunca antes uma geração infantil viveu em um mundo com estímulos tão diversos. Segundo pesquisas, os videogames, computadores, internet, programas de televisão quando bem dosados são como ginástica para o cérebro da criança. O resultado são crianças mais espertas, ousadas e imaginativas. "Não sei se as crianças de hoje são mais imaginativas ou felizes que as do passado, mas certamente são mais sintonizadas com a cultura do seu tempo" - diz Gerald Edelman, neurocientista norte-americano, ganhador do Prêmio Nobel. Isto não significa que está havendo uma explosão de gênios superdotados - estes continuam sendo raros - o que está ocorrendo é um movimento ascendente na média do desempenho da criançada. Escolas e pais já perceberam que crianças criativas, ousadas, líderes, devem ser estimuladas pois apenas conhecimento acumulado não garante que ela seja capaz de resolver problemas práticos. Estudos sobre inteligências múltiplas sugerem que todas as áreas do cérebro sejam estimuladas ao se ensinar um assunto. Por exemplo, ao ensinar sobre oceanos a criança deve ser incentivada a utilizar as 8 inteligências e não apenas a tradicional:
Cientistas de Houston, nos Estados Unidos, descobriram que crianças que não brincam tanto e não têm muito contato físico desenvolvem cérebro 20% a 30% menor do que o normal para a idade e que experiências mais ricas produzem cérebros mais ricos. Os professores precisam estar preparados para receber na sala de aula alguém que sabe mais do que eles e serem treinados para lidar com esta situação. Lidar com jovens cérebros é um desafio dramático para pais e professores que foram criados em um mundo em que se seguia uma cartilha para atingir a sabedoria e conhecimento, e em que a experiência do mestre era a única e incontestável fonte de informação. Leia também: Métodos e Teorias Pedagógicas |