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Janeiro 1998

A arte de contar histórias

Ouvindo histórias, a criança reforça seus laços afetivos com a família e o professor, desenvolve sua própria fantasia e aprende a lidar com a realidade de forma divertida...

(resumido da revista Cláudia Editora Abril Dez/96 páginas 264-268)

 

O hábito de contar histórias - uma das mais antigas tradições praticadas em família ou nas pequenas comunidades - ainda é essencial e insubistituível para o desenvolvimento emocional e a aquisição de conhecimento da criança sobre sua própria cultura. Com uma simples fábula infantil, relatada com emoção e carinho, os pequenos ouvintes assimilam conceitos éticos, políticos, filosóficos e religiosos.

A história é a forma comum, simples e direta, adotada por todos os povos em diversas etapas da civilização, para mostrar por meio de seus mitos e heróis, como encaram o amor, a vida, a morte e repassar sua visão da honestidade e das boas atitudes do ser humano.

Não importa qual seja a história - acontecimentos do dia-a-dia, lembranças familiares, tradições, histórias bíblicas, fábulas ou contos de fadas tradicionais.

Quando escuta um conto, além de sentir o adulto como parte da sua realidade e perceber que eles são capazes de sentir e de pensar como ela, a criança tende a se introduzir no enredo, como ela própria ou como um dos personagens. Usando a imaginação "interpreta" mentalmente o que ouve.

Cada história é um aprendizado diferente e induz o ouvinte a encarar seus erros, a lidar com a traição, o amor e pode ajudá-lo a transpor momentos difíceis. É também uma forma de aprendizado da língua, uma experiência viva do significado dos adjetivos, das conjugações verbais e muito mais.

LER OU CONTAR?

Dizem os contadores profissionais (que promovem sessões de leitura em escolas ou bibliotecas) que não há uma forma "correta" de se contar histórias, nem um local adequado para isso.

Seria ideal dedicar alguns minutos do dia, algumas vezes por semana para esta prática.

O que importa é a dedicação e boa vontade do contador, uma postura relaxada e "entrar" no mundo infantil. É sentar no chão, falar a língua dos pequenos, curtir, ser espontâneo e usar a imaginação.

Não precisa ser um espetáculo teatral. Se você não se sente à vontade interpretando uma história, simplesmente leia um livro. Evite apenas a leitura mecânica - a criança notará sua falta de interesse e "ausência".

Para os que preferem contar a ler, o conselho é usar o mínimo de recursos extras além da própria voz e dos gestos. A criança deve imaginar, e se encontrar tudo pronto e mastigado parte da graça tende a se perder.

GUIA DOS CONTADORES

Alguns endereços na Internet são dedicados aos contadores de histórias. A americana Jed's ( http://www.ccn.cs.dal.ca/~aa331/story.html) traz um guia com algumas dicas:

  • O melhor horário é antes de dormir, quando o contador e a criança estão relaxados.
  • Tenha suco ou água por perto - falar dá sede.
  • Não se preocupe em ser literal, improvise se for preciso. Invente uma história na hora ou resgate um acontecimento da sua infância para contar.

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